Texto extraído do site MSN
Um dia a flor enrubesce e nos tornamos mulheres. Meninas ainda na alma, o corpo já pronto para plantar sementes. A revolução começa. Dali pra frente, desabrocharemos a cada estação nossas múltiplas possibilidades
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Por Ana Kessler 11/jan 12:23
Encorpamos. Apesar de darmos muito valor à forma, com o tempo perceberemos o quão pouco ela importa. O físico está atrelado ao olhar do outro, nos sentimos valorizadas através da opinião alheia. A maturidade nos contempla com o olhar interno, já não precisamos mais de aprovação, nos sabemos plenas, lindas, inteiras. É uma estação sem idade, chega com as experiências vividas e com o que fazemos delas. Requer desapego ao que éramos e coração aberto ao novo. Nesta fase, o velho espelho torna-se mágico e mostra como nos enxergamos: únicas.
Maternidade. Talvez a estação mais ambígua, com certeza a mais visceral. Um dia dormimos mulheres, no outro acordamos mães. E seguimos assim, instáveis entre sermos uma e outra, até conseguirmos unir em nós mesmas essas tão novas metades, uma recém-dividida, outra recém-acrescentada. Quem somos assim que parimos? Para mim, a grande questão foi conseguir me acostumar com esse triângulo amoroso: o novo serzinho, a mulher que eu era e essa nova “eu” que nasceu junto com a Ana Bia. E, principalmente, aceitar que jamais seria quem fui novamente.
E num dia bate aquele desânimo, no outro você não sabe viver sem a sua louca rotina. E há quem case, quem crie os filhos sozinha, há as que aprendem a pedir ajuda, outras carregam o mundo nas costas. Há solidárias e solitárias. E as duas coisas ao mesmo tempo. Porque somos múltiplas, mais que excludentes. Num momento você chora, no outro também, então você ri a gargalhada mais solta feito borboleta no ar e segue em frente. Ser mulher é ser fênix, é ressurgir das cinzas. Sempre.
Enfim, a estação da sabedoria. O ponto de chegada. O momento em que você diz “então, era isso”. Dá vontade de gritar aos quatro ventos a sua grande descoberta, tudo o que vivenciou e como a vida pode ser vivida de maneira mais fácil e descomplicada. Você quer compartilhar a clareza de ideias, a sedimentação dos sentimentos, a verdadeira importância de cada coisa. Na ânsia, você sorri. Sabe que sabedoria não se ensina, se adquire. E lentamente se resigna a ajudar outras mulheres a, elas próprias, alcançarem suas respostas. A reformularem suas perguntas.
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