quarta-feira, 11 de fevereiro de 2015

Pelada Não!

Quero tomar banho sozinha! Saia do banheiro!’ Esse é o apelo da menininha de 6 anos , no momento de se despir. Mais uma recomendação: ‘não deixa ninguém entrar!’. Novidade para os pais, pois até esse momento, ela não parecia se importar com sua nudez.

Sabemos, a partir desse pedido, que sua relação com o próprio corpo mudou. Ela quer preservá-lo dos olhares, criou uma noção de intimidade, de que nem tudo é para ser compartilhado. Seu desenvolvimento em direção à sexualidade adulta deu mais um passo. O prazer sexual, tal como um adulto experimenta, ainda está longe do seu universo. Entretanto, começam a se criar condições , a partir de contornos do que é privado, reservado, para que ele se desabroche. Sem esses limites claros, não há prazer.

Os pais, por sua vez, costumam ter dúvidas quanto a exporem sua própria nudez aos filhos. Alguns acreditam que a questão deveria ser tratada de maneira bem `natural´ e propositalmente ficam sem roupas diante das crianças. Às vezes, passam por cima do próprio constrangimento, por acreditar que isso fará bem aos pequenos.

Esse constrangimento, porém,  é o indicio de que um limite foi ultrapassado. O papel dos pais se fortalece quando sua intimidade não é compartilhada com os filhos. Fazer de conta que a nudez é natural, na nossa cultura, é artificial, e atrapalha o entendimento da criança de que seu lugar na família não é o mesmo que o dos pais.

No nosso ambiente social, desfrutar da interação com o corpo inteiramente nu de um adulto faz parte do relacionamento sexual. A nossa garotinha, que já percebe isso a seu modo, preserva o futuro dos seus desejos.  E não venham lhe dizer que isso é bobagem!

Marcia Arantes e Helena Grinover

Os pais e a escola sob medida

Uma leitora enviou correspondência em que comenta as reuniões de pais nas
escolas. Disse que vai a todas e que sai horrorizada porque alguns pais se acham no direito de cobrar da instituição escolar atitudes educativas que ela considera dever da família. Outro leitor contou que ouviu pais se manifestarem totalmente contrários às posições da escola e que não entende como eles podem manter o filho na mesma. Já é hora, portanto, de avançarmos na reflexão da delicada relação escola-família.

Esses nossos leitores, muito sagazes, constataram que há um grande número de
pais, notadamente entre os que matriculam os filhos em instituição particular, que acreditam poder exigir uma escola sob medida para seus filhos.
Isso leva a pedidos ou exigências dos mais absurdos, como a troca de turma para o filho estar com amigos, troca de professor de sala ou de disciplina, maior ou menor quantidade de lição a ser feita em casa etc. Isso sem falar da relação pouco respeitosa que os pais mantêm com as regras de funcionamento da escola, tais como horário de chegada e de saída, datas e prazos, uso de uniforme, uso de telefone celular etc.
]
Por que tais solicitações são absurdas? Porque a escola é o lugar de transição entre família e mundo em que os alunos aprendem, entre outras coisas, a viver sem escolher. Essa é uma das características da vida pública: não escolhemos os colegas com quem iremos trabalhar, as pessoas que estarão ao nosso lado no trânsito, as datas para pagar contas e tributos e as leis que temos de respeitar.
Precisamos nos lembrar sempre de que a escola tem o dever de preparar os mais
novos para a cidadania. Por isso, demandas dos pais que privilegiam o âmbito privado não fazem sentido algum quando consideramos esse exercício que os filhos devem fazer ao freqüentar a escola.

Esse aprendizado também tem sido dificultado pelo constatado declínio do
trabalho educativo das famílias. Os alunos chegam à escola muitas vezes sem o processo básico de educação em curso. Mas, ao contrário do que muitos professores pensam, isso se deve pouco ao descaso ou à ausência dos pais e mais à nossa cultura que "juveniliza" os adultos. É que os jovens - não me refiro à idade cronológica - têm dificuldades de estabelecer relações educativas com os filhos.

Tal fato tem gerado muitas reclamações por parte da escola, porque os mestres,
tanto quanto os pais, também estão submetidos a essa cultura. Uma coisa é certa: pais e professores têm objetivos comuns e precisam constantemente recordar que é a educação dos mais novos o foco de sua tarefa educativa. A maioria dos conflitos entre eles não considera esse ponto, e sim anseios próprios de cada um deles.

Enquanto tivermos pais aflitos com o que consideram sofrimento dos filhos na
escola e em busca de soluções fáceis e escolas mais comprometidas com novas
metodologias e com a busca de determinados perfis de alunos em vez de com o uso do rigor e da exigência para alcançar um ensino de qualidade, a relação entre ambos será, necessariamente, conflituosa e desastrosa. Quem perde são os mais novos, que deveriam nortear todo nosso trabalho.


Texto: Rosely Sayão

terça-feira, 25 de novembro de 2014

Exposição Leonardo Da Vinci




Mais uma exposição para deixar os paulistanos felizes: parte do acervo do Museo Nazionale della Scienza e della Tecnologia  Leonardo da  Vinci (MUST), em Milão, na Itália, está uma mostra inédita na Galeria de Arte do Sesi-SP, no Centro Cultural Fiesp – Ruth Cardoso.

A exposição interativa Leonardo Da Vinci, a Natureza da Invenção, uma parceria do Sesi-SP e da Universcience, reúne mais de 40 peças e dez instalações interativas que marcaram e representam a trajetória de um dos maiores gênios da humanidade.
Segundo o curador do MUST, Claudio Giorgione a exposição está centrada no método de trabalho de Da Vinci e tem como objetivo renovar a percepção sobre sua atuação como engenheiro e pensador:  “As obras são apresentadas em diferentes linguagens e revelam o quanto a natureza inspirou Leonardo em suas criações”, acrescenta.



Entre os maiores destaques, obras que representam todas as vertentes do legado do mestre: estudos sobre o automóvel, avião, submarino, bicicleta, tanque de guerra, mecanismos do relógio etc. Após passagem por São Paulo, a exposição segue para o Science Museum, em Londres.

Serviço
Exposição Leonardo da Vinci, a Natureza da Invenção
Local: Galeria de Arte do Fiesp -SP, no Centro Cultural Fiesp
Até 10 de maio de 2015
Informações: (11) 3146-7405 e 7406


Exposição de esculturas realistas de Ron Mueck na Pinacoteca



Nove esculturas gigantes e hiper-realistas do artista contemporâneo Ron Mueck chegaram a São Paulo e estão em exibição na Pinacoteca do Estado, na Luz, no centro da capital paulista. Concebida pela Fondation Cartier pour l’art contemporain, de Paris, e com curadoria de seu diretor Hervé Chandès e de sua curadora associada Grazia Quaroni, a mostra vem a São Paulo após exposição no Museu de Arte do Rio de Janeiro e na Fundación Proa, em Buenos Aires.

As esculturas de Mueck, de grande dimensão, impressionam pelo realismo dos personagens e pelo perfeccionismo do artista. Mueck usa materiais como resina, fibra de vidro, silicone e acrílico para reproduzir cada detalhe do corpo humano.

Algumas das obras que fazem parte da exposição são Máscara 2, um autorretrato do artista; A Vítima, em que um garoto exibe um ferimento provocado por uma navalha; e O náufrago, com um homem nu em um barco à deriva.

Além das obras, a exposição conta com o documentário, Natureza Morta: Ron Mueck no Trabalho, filme que apresenta o artista enquanto produzia suas obras.

Serviço
Exposição Ron Mueck
Vai até 22/02/2015
De terça a domingo, das 10h às 18h.

Mais informações no site da  Pinacoteca 

quarta-feira, 19 de novembro de 2014

Dia da Consciência Negra

O Dia Nacional de Zumbi e da Consciência Negra, celebrado em 20 de novembro, foi instituído oficialmente pela lei nº 12.519, de 10 de novembro de 2011. A data faz referência à morte de Zumbi, o então líder do Quilombo dos Palmares – situado entre os estados de Alagoas e Pernambuco, na região Nordeste do Brasil. Zumbi foi morto em 1695, na referida data, por bandeirantes liderados por Domingos Jorge Velho. Maiores informações podem ser consultadas no texto História do Quilombo de Palmares.

A data de sua morte, descoberta por historiadores no início da década de 1970, motivou membros do Movimento Negro Unificado contra a Discriminação Racial, em um congresso realizado em 1978, no contexto da Ditadura Militar Brasileira, a elegerem a figura de Zumbi como um símbolo da luta e resistência dos negros escravizados no Brasil, bem como da luta por direitos que seus descendentes reivindicam.

Com a redemocratização do Brasil e a promulgação da Constituição de 1988, vários segmentos da sociedade, inclusive os movimentos sociais, como o Movimento Negro, obtiveram maior espaço no âmbito das discussões e decisões políticas. A lei de preconceito de raça ou cor (nº 7.716, de 5 de janeiro de 1989) e leis como a de cotas raciais, no âmbito da educação superior, e, especificamente na área da educação básica, a lei nº 10.639, de 9 de janeiro de 2003, que instituiu a obrigatoriedade do ensino de História e Cultura Afro-brasileira, são exemplos de legislações que preveem certa reparação aos danos sofridos pela população negra na história do Brasil.